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Ensino integral amplia horizontes e ajuda jovens acreanos a transformarem sonhos em projetos de vida
Mais que ampliar a permanência dos estudantes na escola, o ensino integral tem se consolidado como uma ferramenta de transformação social no Acre. ...
22/06/2026 10h47
Por: REDAÇÃO Fonte: Secom Acre

Mais que ampliar a permanência dos estudantes na escola, o ensino integral tem se consolidado como uma ferramenta de transformação social no Acre. Com disciplinas eletivas que aproximam os conteúdos escolares da realidade dos estudantes, a modalidade estimula o desenvolvimento de habilidade, a descoberta de vocações e a construção do projetos de vida, contribuindo também para o avanço dos indicadores educacionais.

Ensino integral tem transformado a realidade de estudantes acreanos ao unir aprendizado, prática e construção de projetos de vida nas escolas estaduais. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Os resultados refletem esse avanço. De acordo com o Censo Escolar 2025, o Acre está entre os dez estados brasileiros com maior percentual de estudantes do ensino médio matriculados em escolas de tempo integral. Atualmente, 28% dos estudantes dessa etapa de ensino estudam nesse modelo, índice superior às médias regional e nacional. Esse crescimento é resultado de uma política pública que vem sendo fortalecida ao longo dos anos e que já alcança dezenas de escolas em diferentes municípios acreanos.

Na Escola Estadual de Ensino Médio José Ribamar Batista (Ejorb), em Rio Branco, uma das pioneiras na implantação do ensino integral, os estudantes vivenciam diariamente experiências que unem teoria, prática e protagonismo juvenil.

Foi justamente em uma dessas experiências que o estudante João Vitor Alves, de 15 anos, encontrou uma nova perspectiva para o futuro. Aluno da eletiva MasterChef da Biologia, ele aprende conceitos científicos por meio da culinária.

Para João Vitor Alves de Paiva, de 15 anos, a eletiva MasterChef da Biologia tornou o aprendizado dos conteúdos científicos mais dinâmico e próximo da realidade dos estudantes. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“Eu sempre gostei de cozinhar e amo biologia. Na eletiva, a gente aprende sobre fermentação, bactérias, fungos e depois coloca tudo isso em prática. Já fizemos pão, pão de queijo, manteiga e várias outras receitas. Fica muito mais fácil aprender quando a gente vivencia o que estuda”, conta.

Segundo o estudante, as aulas ajudaram inclusive na definição de seus objetivos profissionais.

“Antes eu pensava em fazer contabilidade. Hoje quero cursar Medicina Veterinária. Essa eletiva me ajudou a descobrir o que eu realmente gosto e me deu um norte para o futuro”, afirma.

A mesma percepção é compartilhada por Ezequiel Assis Martins, de 17 anos, estudante do segundo ano. Na eletiva Física dos Super-Heróis, os conteúdos de física e matemática ganham vida a partir da análise dos poderes de personagens conhecidos dos filmes e quadrinhos.

Ezequiel Assis Martins, de 17 anos, participa da eletiva Física dos Super-Heróis, onde conceitos de física e matemática são aplicados em experiências inspiradas no universo dos quadrinhos e do cinema. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“Nós estudamos se aquilo que os super-heróis fazem seria possível na vida real. Calculamos velocidade, força, salto e fazemos experimentos na quadra. Isso ajuda muito a entender a matéria porque primeiro a gente vivencia e depois aprende a teoria”, explica.

Além de despertar o interesse pelos conteúdos, as eletivas também ajudam os jovens a identificar talentos e possibilidades profissionais.

“Uma eletiva que participei me despertou uma paixão pela engenharia. Já outra me aproximou do teatro. Hoje ainda estou decidindo qual caminho seguir, mas tenho certeza de que essas experiências me ajudaram a descobrir habilidades que eu nem imaginava que tinha”, relata.

A estudante Melissa Mariane Brasil Torrejom, de 15 anos, encontrou na química uma nova forma de compreender o mundo. Participante da eletiva de Química Forense, ela investiga casos simulados utilizando conceitos científicos e técnicas de análise criminal.

Melissa Mariane Brasil Torrejom, de 15 anos, participa da eletiva de Química Forense, onde investiga casos simulados e aprende química de forma interativa e conectada à realidade. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“A química muitas vezes parece difícil, mas quando a gente aprende investigando casos, tudo fica mais interessante. Além de aprender a matéria, a gente desenvolve senso crítico, aprende a observar detalhes e a enxergar situações por diferentes perspectivas. Isso serve para a vida toda”, destaca.

Melissa acredita que o ensino integral oferece oportunidades que vão além da sala de aula.

“O ensino integral faz a gente mergulhar no conhecimento. Aqui temos mais tempo para aprender, tirar dúvidas, socializar e participar das atividades da escola. Às vezes, é cansativo, mas vale muito a pena porque a gente se sente parte de tudo isso”, afirma.

Formação integral e projeto de vida

De acordo com a coordenadora pedagógica da Ejorb, Maria Josiane Bezerra, as disciplinas eletivas são planejadas considerando tanto os interesses dos estudantes quanto as necessidades de aprendizagem identificadas pela escola.

“As eletivas são pensadas a partir do projeto de vida dos estudantes e também dos componentes da formação geral básica. Muitas vezes, elas conseguem abordar temas que vão além do currículo tradicional e aproximam os conteúdos do cotidiano dos estudantes”, explica.

Maria Josiane dos Santos destaca que as eletivas são pensadas a partir do projeto de vida dos estudantes e das necessidades de aprendizagem identificadas pela escola. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Segundo ela, o diferencial do ensino integral está justamente na ampliação das oportunidades formativas.

“Além das disciplinas tradicionais, os estudantes têm acesso a componentes como Projeto de Vida, Estudo Orientado, Tutoria, Pós-Médio, Redação e os clubes de protagonismo. Isso oferece um mundo de possibilidades para que eles desenvolvam autonomia, competências socioemocionais e construam seus objetivos para o futuro”, ressalta.

A coordenadora destaca ainda que a escola vem ampliando os resultados acadêmicos e o acesso dos estudantes ao ensino superior.

“A gente percebe que eles chegam mais preparados para o Enem, para o mercado de trabalho e para os desafios da vida. O ensino integral permite um acompanhamento mais próximo e uma formação muito mais completa.”

Educação que transforma realidades

O fortalecimento do ensino integral faz parte de um conjunto de políticas educacionais que vêm impulsionando os resultados da educação acreana. Dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) colocam o Acre na liderança da Região Norte nos anos iniciais e finais do ensino fundamental. O estado alcançou nota 6,45 nos anos iniciais e 5,16 nos anos finais, consolidando-se entre os melhores desempenhos do país.

Esse crescimento também é percebido na ampliação do acesso à tecnologia, na expansão da conectividade escolar, no fortalecimento do Centro de Mídias Educacionais do Acre (Cemeac), no Pré-Enem Legal e em programas que garantem educação para estudantes das áreas urbanas, rurais, ribeirinhas e indígenas.

Acesso à internet nas escolas rurais acreanas saltou de 6% para 33% em sete anos, fortalecendo a inclusão digital e reduzindo distâncias do acesso à educação. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Para o secretário de Estado de Educação e Cultura, Reginaldo Prates, a expansão do ensino integral representa um investimento direto no futuro da juventude acreana.

“Quando ampliamos o tempo de permanência dos estudantes na escola, ampliamos também as oportunidades de aprendizagem, de desenvolvimento humano e de construção de projetos de vida. O ensino integral é uma política que transforma trajetórias e contribui diretamente para a melhoria da qualidade da educação”.

Censo Escolar orienta investimentos e amplia oportunidades

Os avanços da educação acreana também passam por uma ferramenta pouco visível para a população, mas fundamental para a construção das políticas públicas: o Censo Escolar. É a partir dos dados coletados anualmente que governos federal, estadual e municipais conseguem identificar necessidades, direcionar recursos e planejar investimentos para melhorar a aprendizagem dos estudantes.

Coordenador estadual do Censo Escolar, Jelsoni Calixto, abordou a relevância da pesquisa para o planejamento e a execução das políticas educacionais. Foto: Neto Lucena/Secom

Para o coordenador estadual do Censo Escolar da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), Jelsoni Calixto, os números representam muito mais que estatísticas.

“É com esses números que garantimos que cada estudante seja visto, que suas necessidades sejam atendidas e que o futuro da nossa educação seja guiado por decisões justas e fundamentadas. À primeira vista, números podem parecer apenas números. No entanto, é a partir das evidências produzidas pelo senso escolar que os recursos da educação são distribuídos às escolas, e às redes estaduais e municipais de ensino. É também por meio desses dados que ocorre a repartição dos recursos do Fundeb, possibilitando a valorização dos profissionais da educação e a oferta de melhores condições de ensino para crianças e adolescentes em todo o país”, destaca.

Segundo ele, entender a importância do levantamento significa compreender como são construídas as políticas educacionais e definidos os investimentos na área de educação.

Resultados educacionais refletem investimentos em infraestrutura, conectividade, formação de professores e ampliação do ensino integral em todo o estado. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“Quando lhe perguntarem o que é o Censo Escolar, diga que ele é o coração das políticas públicas educacionais. É a base sobre a qual se constroem oportunidades para nossas crianças e jovens. Cada dado coletado, cada detalhe registrado, representa uma oportunidade de transformar realidades”, afirma.

O trabalho realizado pela rede estadual fez do Acre o único estado brasileiro a alcançar 100% da coleta de dados dentro do prazo por sete anos consecutivos, tornando-se heptacampeão nacional do Censo Escolar.

Infraestrutura e conectividade avançam nas escolas acreanas

Os dados do Censo Escolar também evidenciam uma importante evolução da infraestrutura educacional no Acre nos últimos anos.

Entre 2018 e 2025, o percentual de escolas com acesso à água potável passou de 37% para 61%, representando um avanço de 24 pontos percentuais. Nas escolas rurais, o acesso a banheiros saltou de 25% para 70%, ampliando as condições de permanência e bem-estar dos estudantes.

Escola Nova Esperança, na zona rural de capixaba, é uma das instituições do campo que passam por manutenção em 2026. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Outro destaque é a conectividade. Em 2018, apenas 6% das escolas rurais possuíam acesso à internet. Em 2025, esse percentual chegou a 33%, resultado de investimentos que vêm reduzindo as distâncias geográficas e ampliando as possibilidades de aprendizagem por meio das tecnologias digitais.

Alimentação escolar reforçada pelo programa Prato Extra

Garantir que os estudantes permaneçam mais tempo na escola também exige investimentos que vão além da sala de aula. Nos últimos anos, o Estado ampliou os recursos destinados à alimentação escolar por meio do programa Prato Extra, criado para complementar os valores repassados pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Programa Prato Extra fortalece a alimentação escolar e garante refeições de qualidade para estudantes da rede pública estadual. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Mesmo com um aumento médio de 47% nos repasses federais entre 2023 e 2025, os recursos do PNAE ainda não são suficientes para cobrir todos os custos da alimentação escolar. Para assegurar refeições de qualidade aos estudantes, a rede pública estadual realizou um aporte complementar de aproximadamente R$ 360 milhões nos últimos três anos, com investimento médio anual de R$ 120 milhões.

A iniciativa também fortalece a agricultura familiar acreana, gerando renda para produtores locais e garantindo alimentos frescos e nutritivos nas escolas.

Governadora Mailza destacou importância de qualificar os dados e ampliar a produção de informações para a implementação de políticas públicas no estado do Acre. Foto: Neto Lucena/Secom

“Já são R$ 74 milhões investidos na alimentação escolar por meio de programas que fortalecem a agricultura familiar. Uma alimentação adequada faz toda a diferença no aprendizado dos estudantes”, destacou a governadora Mailza Assis durante a apresentação dos dados educacionais do estado.

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